Polémica sobre alojamento local e dimensão ignorada do turismo

A crescente polémica sobre o que se designa de Alojamento Local em Lisboa e Porto está condenada à esterilidade por não o integrar no conceito alargado da economia do turismo (1).

Alojamento Local designa a residência secundária arrendada a turistas pela família que nela investiu para rendimento, utilização ou misto de rendimento e utilização, com a perspectiva de mais-valia em venda futura. Sem este investimento de famílias portuguesas e estrangeiras não há oferta para a procura de Alojamento Local. É isto que está em causa nos diversos destinos turísticos regionais

No presente post analisamos as dinâmicas na formação destas residências secundárias. No próximo mostramos como a cadeia de valor gerada pela sua utilização turística é ignorada pelo discurso light sobre turismo.


1.Alojamento familiar no Recenseamento da Habitação (INE – 2011)
*Conceitos utilizados pelo Recenseamento da Habitação
O Recenseamento da Habitação de 2011 considera três tipos de Ocupação do Alojamento Familiar no “momento de referência”:

-Residência Habitual, quando constitui a residência habitual ou principal de pelo menos uma família,

-Residência Secundária, quando é apenas utilizado periodicamente e no qual ninguém tem residência habitual,

-Vago, quando está disponível para venda, arrendamento, demolição ou outra situação no momento de referência.

A partir desta base, temos realidades diferentes:

-o alojamento familiar de residência habitual pode ser de propriedade do ocupante ou arrendado a um senhorio,

-o alojamento secundário ou vago é investimento, por compra ou herança, de quem habita uma residência principal em Portugal ou no estrangeiro.

Em síntese:

-antes de falar em Alojamento Local, temos de quantificar (e, já agora, respeitar) o investimento das famílias em alojamentos familiares de residência secundária e vagos e identificar as dinâmicas económicas e sociais que estão na sua origem e utilização,

-esta dimensão de investimento familiar ‘na pedra’ está quase sempre ausente nas intervenções sobre Alojamento local.

*Alojamentos familiares segundo a ocupação
O gráfico 1 ilustra a ocupação dos 5.732 milhares de Alojamentos Familiares em Portugal, no “momento de referência” do Recenseamento da Habitação de 2011:

-3.829k em Residência Principal (69% total), 1.099k de Residência Secundária (19% total), e 704k Vagos (12% total),

Gráfico 1 – Ocupação dos Alojamentos Familiares em Portugal (2011)
(milhares e percentagem)


Fonte: Elaboração própria com base em INE – Recenseamento da Habitação, 2011

Esta informação evita que o leitor se deixe manipular por slogans como:

-há “700.000 casas vazias em Portugal” e “quase metade das casas do País não é de habitação permanente”, maldades que o País deve à ganância dos especuladores.

A informação permite ainda racionalizar excessos verbais vindos de onde não deveriam vir. Segundo o Expresso, o “urbanista e professor universitário Sidónio Pardal” afirma: “Há 1,2 milhões de casas a mais”. A explicação é:

-“Se considerarmos os centros urbanos das grandes cidades podemos estar a falar de 600 mil fogos excedentários. Se a estes adicionarmos todos os imóveis em ruinas e abandonados no resto do país, incluindo muitas aldeias praticamente desabitadas, o valor pode subir a 1.2 milhões.” (2).

O País tem o direito de esperar mais da Universidade que paga para investigar, estudar e criar conhecimento. O número em causa e quase o dobro do de alojamentos vagos e mistura o potencial de valorização dos centros urbanos com as ruínas de arruinados casebres da miséria rural do País.

*Alojamentos Familiares segundo a ocupação – por NUTS II e total
Os gráficos 2 e 3 ilustram a repartição por NUTS II do Continente, da ocupação dos Alojamentos Familiares no Recenseamento de 2011 e do total –não indicamos o total do Continente no gráfico 2 para não prejudicar a escala do gráfico.

Da observação conjunta dos dois gráficos destacamos:

-uma percentagem de alojamentos vagos que é praticamente idêntica em todas as NUTS II e por consequência no total,

-percentagens diversas de residências secundárias que podemos ligar a dinâmicas económicas e sociais em cada uma das NUTS II.

Gráfico 2 – Alojamentos Familiares Segundo a Ocupação, por NUTS II do Continente
(milhares)


Fonte: Elaboração própria com base em INE – Recenseamento da Habitação, 2011

Gráfico 3 – Alojamentos Familiares Segundo a Ocupação, em Percentagem do Total, por NUTS II do Continente
(percentagem)


Fonte: Elaboração própria com base em INE – Recenseamento da Habitação, 2011

*Caso especial do Algarve
O gráfico 4 ilustra a evolução a ocupação do alojamento familiar no Algarve entre 1970/2011. Destacamos

-o crescimento do número de residências secundárias, em grande parte resultado de construção nova,

-a quantidade em causa: num total de 145.000 alojamentos, a parte da edificação nova deve andar pelo menos pelos 120.000 (3).

Gráfico 4 – Ocupação do alojamento familiar no Algarve (1970/2011)
(milhares)


Fonte: Elaboração própria com base em INE – Recenseamento da Habitação (1970 a 2011)

*Caso especial de zona histórica de Lisboa
O gráfico 5 ilustra a ocupação do alojamento familiar em zona histórica de Lisboa entre 1981/2011. Destacamos:

-entre 1981/2011 o número total de alojamentos não cresce, e a diminuição dos de residência habitual corresponde ao crescimento dos de residência secundária e vagos,

-em 2011, há 10.889 alojamentos de residência secundária e vagos – serão os primeiros a ser reabilitados para comercialização em Alojamento Local.

Esta amostra de dezassete freguesias ‘antigas’ da zona histórica de Lisboa é o cadinho em que se funde quase todo o debate sobre o Alojamento Local. Neste ponto destacamos:

-estão em causa pouco mais de dez mil alojamentos, que integram uma dinâmica muito específica [ver a seguir],

-não podemos generalizar o que acontece nesta pequena amostra a todo o universo do Alojamento Local e é isto que está a ser feito.

Gráfico 5 – Ocupação do alojamento familiar em zona histórica de Lisboa (1981/2011)
(unidades)


Fonte: Elaboração própria com base em INE – Recenseamento da Habitação (1981 a 2011)

2.Dinâmicas económicas/sociais na formação dos alojamentos de residência secundária e vagos
2.1.Residentes em Portugal
1.Lembramos as duas últimas grandes fases no despovoamento de muito do Território do País:

-a população que se desloca para as Áreas Urbanas de Lisboa e Porto, a partir da década de 1950,

-a da emigração para a Europa, a partir da década de 1960.

Estes movimentos de população libertam alojamentos familiares de residência habitual,

-no momento em que ocorrem e posteriormente com o ciclo de falecimentos de avós e pais de portugueses da actualidade,

-por venda no mercado ou por herança seguida de venda ou manutenção no património familiar.

Ao longo dos anos estes alojamentos dão origem a

-residência secundária da família deslocada ou emigrada,

-alojamentos vagos, quando não têm condições para poderem ser ocupados, ou valor para serem vendidos (4).

Em paralelo, citadinos compram alguns destes alojamentos para os recuperar como residência secundária. Desconhecemos a maneira como chega a Portugal o movimento das ‘fermette à retapper’ da França dos anos setenta/oitenta. Em Portugal, o tempo da recuperação dos montes do Alentejo data da segunda metade da década de oitenta.

Os emigrantes passam a ser portugueses residentes no estrangeiro e estão na origem de outra cadeia de valor [ver a seguir].

2.Famílias da província investem num apartamento em Lisboa (quase sempre fora da zona histórica), ligado ou não à utilização pelos filhos enquanto estudantes, e utilizado como segunda residência. Em 2011 e no concelho de Lisboa, os alojamentos vagos (50k) representam 15,5% do total de alojamentos (323k)

3.Familias proprietárias de apartamentos nas zonas históricas de Lisboa aceitam que um número crescente destes apartamentos se degrade como vagos por não haver procura pela sua utilização como residência permanente ou secundária. Em 2011, os alojamentos vagos (7.254) representam 26,7% dos alojamentos de zona histórica da cidade (27.138) – a percentagem de alojamentos vagos na zona histórica em apreço é quase o dobro da do concelho.

4.O investimento de residentes em Portugal em residência secundária parece seguir dois modelos, diferenciados pela crescente acessibilidade rodoviária:

-o da residência secundária de proximidade sobretudo no litoral (Ericeira, Figueira da Foz e por aí adiante) e também no campo,

-o do investimento em residência secundária na Área Turística do Algarve. 

2.2.Residentes no estrangeiro
*Portugueses Residentes no Estrangeiro
Os emigrantes acumulam recursos que permitem a construção de moradias (as tão vilipendiadas ‘maisons’) ou aquisição de apartamentos, na ‘terra’ ou na urbanização do litoral.

Estes apartamentos e vivendas estão ligados a alguma utilização como residência secundária durante as férias, com possibilidade de possibilidade de passar a residência habitual durante a reforma.

*Estrangeiros residentes no estrangeiro
O Algarve é o caso mais evidente e importante de estrangeiros não residentes a investir em residências secundárias em Portugal, muitas vezes com a perspectiva de aí viver a reforma ou imigrar em permanência.

A exuberância da afirmação de interesses particulares durante os anos de antes da Crise sobrevaloriza a residência secundária em resorts e despreza o importante investimento em habitação dispersa e os green shots de investimento em meio urbano. Tema a aprofundar.

3.Procura/oferta de residências secundárias de utilização turística
*Dupla flexibilidade na utilização de alojamentos familiares
Nos dois pontos anteriores não há referência explicita a turismo, mas a ocupação humana de uma residência secundária implica uma de duas utilizações turísticas ou a sua combinação:

-residência secundária por conta própria, pelo proprietário, familiares e amigos,

-residência secundária arrendada a turistas, aquilo a que na actualidade se de designa por Alojamento Local – não há vagos porque o arrendamento a turistas … implica o vago passar a ser residência secundária (5).

A figura 1 ilustra

-as três ocupações do Alojamento Familiar do Recenseamento da Habitação [a vermelho], que ao longo do tempo podem variar entre residência permanente, residência secundária e vago,

-as duas utilizações da Residência Secundária de Utilização Turística [a verde], que ao longo do ciclo anual podem ou não variar entre Residência Secundária Pelo Próprio e Residência Secundária Arrendada a Turistas.



Fonte: Elaboração própria

A dupla flexibilidade da ocupação do Alojamento Familiar e da utilização da Residência Secundária é suposta facilitar o comportamento do Homem numa sociedade cada vez mais marcada pela flexibilidade e mobilidade, mas

-a da ocupação do Alojamento Familiar (a vermelho) tem relação difícil com a Politica do Ordenamento do Território,

-a da utilização turística da residência secundária (a verde) tem relação difícil com a Politica do Turismo.

Parece e é simples. Desde há dezenas de anos, a (má) legislação e a (péssima) aplicação complicam e conduzem a um nó Górdio que tem de ser desfeito.

* Residências secundárias de utilização turística no Turismo Interno
O gráfico 6 ilustra a procura por residências secundárias de utilização turística no turismo interno e compara com a utilização da hotelaria legal. Constatamos:

-a utilização de residência secundária por conta própria é mais do dobro da arrendada a turistas e tem valor perto do da utilização da hotelaria.

Gráfico 6 –Residências secundárias de utilização turística no turismo interno
(milhares)


Fonte: Elaboração própria com base em INE – Estatísticas do Turismo

Não dispomos de informação que nos permita quantificar estas utilizações no caso do turismo receptor.


A Bem da Nação

Lisboa 29 de Novembro de 2016

Sérgio Palma Brito

Notas

(1)No próximo post detalhamos a origem da designação Alojamento Local e a sua definição legal.

(2)Entrevista de Sidónio Pardal ao Expresso de 26 de Novembro de 2016.

(3)A estimativa é nossa com base em análise por freguesia e peca por defeito.

(4)Os jovens e os mais distraídos poem não ter a noção da degradação do parque habitacional do País.

(5)Utilizamos a terminologia do INE.


ANA e aeroporto de Lisboa – quando um País é vítima do ruminar de desgraças

O artigo de Nicolau Santos, Editor de Economia do Expresso, no Expresso Diário de 18 de Novembro* exige ser contextualizado ou corrigido.

1)No caso concreto da infra-estrutura aeroportuária, a decisão de privatizar a ANA em ligação com o Novo Aeroporto de Lisboa data do governo Sócrates e a ideia remonta a 1998. Em 2011 passa a ser uma exigência do resgate, em acordo assinado pelo primeiro-ministro Sócrates.

2)O governo PSD/CDS apenas executa a privatização, porventura com prazer ideológico. Erra quando faz do encaixe o critério prioritário e erra dramaticamente quando acelera a privatização para a receita contar para o deficit de 2012.

3)No blogue e sem meios acompanhei a privatização da ANA a par e passo. Apesar de esforços meus, não vi oposição PS, jornalismo de referência ou universidades a exercer vigilância democrática. Para mim, partilham a responsabilidade do governo.

4)A pressa da privatização tem consequências nefastas de que destacamos: i)o violar das recomendações internacionais em geral e no caso particular de ‘mealheiro único’ para receitas aviação e não aviação e, sobretudo, de um Service Level Agreement decente e não a treta acordada; ii)o haver subsidiação cruzada entre aeroportos (Lisboa e Açores) um instrumento de politica regional privatizado no molho. Em síntese, o erro não foi a privatização foi este duplo erro do governo /encaixe e deficit 2012) e a ausência lorpa de oposição política,  da opinião publica e academia.

5)Não sei se o governo “por razões ligadas ao combate politico” travou o aeroporto de Benavente – desde 2011 estava claro que ninguém financiaria o aeroporto. A avaliação de Nicolau Santos não cola com a realidade.

6)Desde o início da OTA, praticamente toda a indústria do turismo e muita gente defendia que a competitividade do destino Lisboa sofreria com a perda da Portela.

7)Entre 2006/07, o secretário de Estado do Turismo Bernardo Trindade defende Portela mais Montijo. Esta passa a ser a proposta do turismo de Lisboa e da Confederação do Turismo Português.

8)Ignoro o gosto musical da Vinci, sei que a defesa da opção Portela mais Montijo visa defender a competitividade do destino turístico centrado em Lisboa e é bem anterior à Vinci.

9)A obra de expansão (então provisória) da Portela é uma velha ideia, que Mário Lino decide implementar e Sérgio Monteiro inaugura em Julho de 2013. Nessa ocasião, a ideia dominante e discreta era que a Portela aguentaria até haver Portela+Montijo. Sei de duas ou três pessoas que conhecem o transporte aéreo em Portugal. Todas têm a honestidade intelectual de reconhecer que não previram o que aí viria … a partir de 2014.

10)No Outono de 2013 e depois de um processo em maturação desde meses, a Ryanair conhece uma reconversão estratégica profunda. Em três anos faz quatro previsões de crescimento de tráfego – no exercício que termina a 31 de Março de 2017 transporta 119 milhões de passageiros, um aumento de 12.6 milhões de passageiros em relação ao exercício anterior. A primeira previsão de tráfego dava 81.7 milhões para 2014. É só fazer as contas.


11)A Ryanair começa a operar em Lisboa em 2014 - no final de 2016, a nossa previsão é que transporta 2.700 milhões de passageiros (um milhão em 2014 e dois milhões em 2015). E faz isto sem apoio publico. Faz porque a capacidade de atracção do destino Lisboa e a pressão do mercado (a Ryanair é cotada numa bolsa a sério) alteram a relação de forças – Ryanair precisa de Lisboa e vai crescer se tiver um aeroporto competitivo no Montijo.

12)Peso que foi esta nova realidade que leva Pires de Lima a relançar o projecto Montijo. E é a esta realidade que o governo do PS tem de responder. A ideologia? A ideologia está onde, neste tipo de decisões deve estar – na gaveta, onde encontrará o socialismo, e no caixote do lixo da politica económica.

13)Se a informação que tenho é boa, e penso que é, a pista diagonal da Portela só será encerrada após a abertura do Montijo e, vejam lá, para dar lugar a uma operação eficiente do hub da TAP.

14)Quanto a “se passar a haver apenas uma pista, parece evidente que haverá um maior constrangimento para o número de aviões que, por hora, podem aterrar” – é a cena parva das ‘iludências aparudem’ e aconselhamos Nicolau Santos a informar-se sobre a percentagem de tráfego nesta pista (cito de cor, cerca de 3%) e sobre a possibilidade de operação conjunta das duas pistas.

15)Passo sobre o parágrafo em que NS explica o que os portugueses deviam ter feito. Passo sobre a cena do “lucro e bem comum”. 

Não passo sobre a TAP transportar “80% dos passageiros que aterram na Portela”. Desde 2001, parte da TAP no aeroporto de Lisboa atinge o pico de 59,1% em 2013, depois com o efeito Ryamair desce para 56,2 em 2015, 51% em 2015 e prevejo 48,2% em 2016. Como é possivel, Nicolau?

Last but not the least. Estou farto da tirada em que NS e outros insistem de “um País de cócoras perante um privado”. Portugal não está nem estará de cócoras. De cócoras perante o futuro está o espírito que sustenta todo este texto e outros como este. Nele não há uma única ideia para o futuro. Só ruminar desgraças e lamentos.


A Bem da Nação

Lisboa 19 de Novembro de 2016

Sérgio Palma Brito

*2016.10.18.Expresso

Pelas alminhas, David Neeleman, precisamos de mais informação e melhor comunicação

Sou um admirador de David Neeleman, respeito o que fez nos EUA e Brasil e confio nele para recuperar a TAP. Dito isto, que não é pouco, não gosto da sua comunicação, que tem tanto de vivacidade e entusiasmo como de falta de rigor. E é frequentemente feita ‘à margem’ do evento em que acaba de participar.

À margem do Web Summit, Neeleman afirma “estamos a crescer mais rápido do que o aeroporto”. Esta afirmação não corresponde à realidade (gráfico 1). Com efeito,

-entre 2001/15 o aeroporto cresce 114,7% e a TAP 92,3%,

-entre 2013/15, o aeroporto cresce 25,5% e a TAP 8,4%.

Gráfico 1 – Lisboa: passageiros TAP e total do aeroporto
(milhares)


Fonte: Elaboração própria com base em informação ANA (excepto 2014 e 2015)

Um gestor com o posicionamento de Neeleman em Portugal não pode utilizar argumentos como nos dois casos que seguem.

Afirmar que “Vemos muitos americanos aqui. E sabemos que eles gastam muito mais dinheiro do que quem vem pela Ryanair a pagar 39 euros” é reduzir o tráfego da Ryanair a caricatura que ainda não foi confirmada por nenhum estudo.

Afirmar que "não é possível esperar três anos" [por um novo aeroporto] e “O Montijo está lá. Não podemos esperar três anos para isso acontecer.”, é ignorar a realidade: com licenciamento e obras, o Montijo demora pelo menos três anos.

O que me leva a publicar este post? Dou voz a uma avaliação de David Neeleman que ouço muita gente dizer off the record e não poder dizer em publico.

A intervenção do consórcio de Humberto Pedrosa e David Neleman não está a ter a comunicação que tem de ter, a bem do consórcio e do lema deste blogue:


A Bem da Nação

Lisboa 10 de Novembro de 2016

Sérgio Palma Brito


Nota – Post baseado no Jornal Económico
Neeleman critica falta de espaço no aeroporto de Lisboa: “O Montijo está lá”


Ryanair revê em alta a previsão de passageiros no horizonte 2024

A Ryanair fecha o exercício de 2017 a 31 de Março e acaba de apresentar os resultados do primeiro semestre do exercício, a 30 de Outubro de 2016. O indicador que mais directamente nos interessa é o do número de passageiros.

A Ryanair faz a quarta previsão dos últimos três anos para o horizonte 2024.


A previsão de 2014 passar de 180 milhões para 200 milhões de passageiros pode ser sempre encarada com cepticismo.

Diferente é o caso de 2017:

-a previsão para o corrente exercício (a 31 de Março de 2017) passa dos anteriores 113 para 119 milhões,

-o aumento em relação ao real de 106,4 milhões de 2016 é de 12,6 milhões, mais do que a Transavia transporta em um ano.

Para 2017 houve três previsões em crescendo: 106 – 113 -119 milhões.

O lucro em 2017 está previsto em €1,350 milhões.

Como explicamos no Relatório sobre Transporte Aéreo e Turismo em Portugal, estes números reforçam o sucesso da reconversão estratégica da Ryanair em 2013. 

A Ryanair é muito diferente do que já foi e os resultados estão à vista.


A Bem da Nação

Lisboa 7 de Novembro de 2016

Sérgio Palma Brito


Os cinco volumes do Relatório estão disponíveis em http: http://www.ciitt.ualg.pt/

ou

I Parte – Da década 1950 à transformação do mercado europeu dos anos noventa

II Parte – Indústrias europeias do transporte aéreo

III Parte – Tráfego aéreo no total dos três aeroportos (Lisboa, Porto e Faro) – continentes, países e empresas

IV Parte – Passageiros nos aeroportos de Lisboa, Porto e Faro – continentes, países e empresas

V Parte – Procura/oferta de turismo e intervenção pública - Inclui Anexo - Package holiday e independent travel no Algarve (da década de 1990 à actualidade)


Air France KLM creará una aerolínea para competir con las rivales del Golfo

Num fim de tarde de sexta-feira, percorremos os sites habituais e apanhamos esta notícia.

Citamos a introdução …

-“Air France KLM ha lanzado un nuevo plan estratégico para el período 2017-2020 que incluye la creación de una nueva aerolínea para el largo radio que competirá con las rivales del Golfo. Con este ambicioso proyecto, el grupo pretende alcanzar para el año 2020 ingresos de alrededor de 28.000 M € y 100 millones de pasajeros transportados con una flota de 435 aeronaves, excluyendo aviones regionales.”*.

… e o início do texto

El nuevo plan estratégico Trust Together fue presentado este jueves por el presidente y CEO de Air France-KLM, Jean-Marc Janaillac, quien afirmó que con esta nueva hoja de ruta el grupo franco holandés “recupera la ofensiva con un proyecto ambicioso y realista... Estaremos luchando en todos los frentes”.

El objetivo central de volver a una posición de liderazgo en sus distintos mercados, construido alrededor de las principales aerolíneas -Air France y KLM. El grupo busca alcanzar tres grandes desafíos: captar su cuota dentro del crecimiento del transporte aéreo mundial, reforzar la competitividad y la eficiencia operativa del Grupo y mejorar aún más la experiencia del cliente.”.

Analisaremos brevemente o novo plano estratégico do Grupo Air France/KLM. À laia de primeiro comentário, recordamos imagem recente da capitalização bolsista das principais companhias aéreas do Mundo.



Destacamos,

-a liderança incontestável de Delta e Southwest, esta é a histórica LCC,

-Ryanair em terceiro lugar e easyJet em décimo segundo,

-IAG em quinto e Deutsch Lufthansa em décimo terceiro,

-nos dois últimos lugares, Turkish Airlines e o Air France/KLM Group.

A comparação entre IAG, Lufthansa Group e AF/KLM Group e o último lugar deste último dão mais uma imagem da situação em que o grupo está a cair.

*Turismo e transporte aéreo em Portugal
Ao leitor que deseje uma informação mais completa sobre este e outros temas recomendamos o Relatório Turismo e Transporte aéreo em Portugal que acabamos de publicar.

Os cinco volumes estão disponíveis em http: http://www.ciitt.ualg.pt/
ou

I Parte – Da década 1950 à transformação do mercado europeu dos anos noventa

II Parte – Indústrias europeias do transporte aéreo

III Parte – Tráfego aéreo no total dos três aeroportos (Lisboa, Porto e Faro) – continentes, países e empresas

IV Parte – Passageiros nos aeroportos de Lisboa, Porto e Faro – continentes, países e empresas

V Parte – Procura/oferta de turismo e intervenção pública - Inclui Anexo - Package holiday e independent travel no Algarve (da década de 1990 à actualidade)


A Bem da Nação

Lisboa 4 de Novembro de 2016

Sérgio Palma Brito

*Ver Air France KLM creará una aerolínea para competir con las rivales del Golfo


Brexit e Portugal no mercado emissor do Reino Unido

Afinal, o que representa o Brexit para o posicionamento de Portugal no mercado emissor do Reino Unido? Parece possível relacionar a procura com a cotação da libra no antes/depois da decisão de Brexit. Depois explicitamos a exposição dos três aeroportos às consequências do Brexit.

Não alinhamos nos actuais excessos de euforia, culto do sucesso e discurso light sobre turismo, porque perturbam a lucidez na análise do essencial:

-não estamos aqui para estragar a festa em que também participamos,

-estamos para reforçar a onda dos que mantêm os pés na terra e querem conhecer e compreender a realidade em que vivemos

1.Passageiros oriundos do Reino Unido e libra em relação ao euro
*Passageiros do Reino Unido no total dos três aeroportos e em Faro
A cotação da libra em euros é um dos factores que influenciam a formação da procura do mercado do Reino Unido pela oferta do turismo em Portugal. O gráfico 1 ilustra a evolução do número de passageiros oriundos do Reino Unido no total dos três aeroportos.

Gráfico 1 – Passageiros Reino Unido no total de Lisboa, Porto, Faro
(milhares)


Fonte: Elaboração própria com base em Informação ANA

O gráfico 2 ilustra a evolução do número de passageiros oriundos do Reino Unido em Faro, onde este mercado representa cerca de 50% da procura. Os dois gráficos mostram um surto de crescimento a partir de 2013.

Gráfico 2 – Passageiros oriundos do Reino Unido em Faro
(milhares)


Fonte: Elaboração própria com base em Informação ANA

*Evolução da cotação da libra em euros
A figura 1 ilustra a relação entre libra e euro desde 2012. Destacamos:

-a partir de 2013, a fase de desvalorização da libra em relação ao euro coincide com o surto de crescimento identificado pelos gráficos 1 e 2.

Figura 1- Relação entre libra e euro nos últimos cinco anos


Fonte: Bloomberg

A relação entre a moeda da procura e a da oferta é conhecida, mas é bom saber como acontece no Algarve e no total dos três aeroportos, em consequência do peso do Algarve neste total (57,3% do total em 2015).

Em ligação com o que descrevemos, em 30 de Setembro de 2016, depois da libra a descer desde o início do ano, as chegadas do Reino Unido a Faro crescem menos do que as de Alemanha, Holanda e Irlanda (os três mercados mais importantes do Algarve depois do Reino Unido).

Por fim, insistir na nossa responsabilidade:

-a capacidade de atracção de um destino turístico depende do preço, mas esta dependência deve ser fisiológica e não patológica, em imagem que importamos da biologia.

2.Exposição de Lisboa, Porto e Faro ao mercado do Reino Unido
*Passageiros oriundos do Reino Unido em Lisboa, Porto, Faro
O gráfico 3 ilustra, a evolução de passageiros oriundos do Reino Unido em Lisboa, Porto e Faro, e no total destes aeroportos. Destacamos:

-crescimento lento e estabilidade até 2012 e crescimento mais acentuado desde 2013, que coincide com a valorização da libra, como vimos antes,

-crescimento acentuado com base sobretudo na dinâmica de Lisboa.

Gráfico 3 – Passageiros Reino Unido em Lisboa, Porto, Faro quantidade
(milhares)


Fonte: Elaboração própria com base em Informação ANA

O gráfico 4 ilustra, a evolução de passageiros oriundos do Reino Unido

-em Lisboa, Porto e Faro em parte do total de cada um dos três aeroportos,

-do total destes aeroportos no tráfego total dos três aeroportos.

Gráfico 4 – Passageiros Reino Unido em Lisboa, Porto, Faro parte do total
(milhares)


Fonte: Elaboração própria com base em Informação ANA

Observemos Algarve, Lisboa e Porto com base nos dois gráficos em conjunto.

O Algarve é o destino regional mais exposto à desvalorização da libra:

-em 2015 são 3.5 milhões de turistas e 54,1% de parte de mercado,

-os operadores turísticos de package holiday representam parte importante da procura (pelo menos 50%),
-há enorme pressão para que Antalya e Sharm el Sheik reabram ao turismo e estão fora do euro.

No caso de Lisboa temos de considerar

-uma quantidade importante de 2.0 milhões de passageiros, mas uma parte de mercado de apenas 5,7%,

-não há operadores de package holiday capazes de desviar tráfego.

O caso do Porto é idêntico a Lisboa na ausência de operadores, mas

-é o inverso de Lisboa, com apenas 636k passageiros mas uma parte do total de 7,9%.

3.Notas finais
*Evolução da cotação da libra em euros
Não mencionamos prognósticos sobre a evolução da libra e não consideramos possíveis consequências de um terramoto Trump. Retemos dois factos:

-se a desvalorização da libra a partir do início de 2013 se mantiver/acentuar, vir a Portugal está cada vez mais caro para os residentes no Reino Unido, e pode haver uma queda da procura,

-no Algarve, o desvio de turistas de Turquia e Egipto pode compensar a queda de turistas gerada pela libra, mas a aumentará a pressão para que os turistas regressem a Antalya e a Shark el Sheik.

*Turismo e transporte aéreo em Portugal
Ao leitor que deseje uma informação mais completa sobre este e outros temas recomendamos o Relatório Turismo e Transporte aéreo em Portugal que acabamos de publicar.

Os cinco volumes estão disponíveis em http: http://www.ciitt.ualg.pt/
ou

I Parte – Da década 1950 à transformação do mercado europeu dos anos noventa

II Parte – Indústrias europeias do transporte aéreo

III Parte – Tráfego aéreo no total dos três aeroportos (Lisboa, Porto e Faro) – continentes, países e empresas

IV Parte – Passageiros nos aeroportos de Lisboa, Porto e Faro – continentes, países e empresas

V Parte – Procura/oferta de turismo e intervenção pública - Inclui Anexo - Package holiday e independent travel no Algarve (da década de 1990 à actualidade)


A Bem da Nação

Lisboa 2 de Novembro de 2016


Sérgio Palma Brito